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Senhorita Inconstante #5: Poeminha das Tardes Ociosas

quarta-feira, 17 de abril de 2013



Você me mostrou que amar é mais complicado do que cantar
Que quando nos apaixonamos trocamos os sapatos de lugar
Usamos o que era direito no esquerdo e isso incomoda.

Você me contou histórias sobre lugares distantes,
Fez carinho nas minhas costas enquanto dizia que estava feliz,
Deitou ao meu lado e suspirou fundo enquanto eu fingia dormir.

Você me fez sentir que aquilo podia durar mais que uma temporada,
Pensei que íamos superar tudo e chutar as pedrinhas do caminho,
Mas nos olhamos aquele dia e decidimos seguir em frente.

Então nunca mais nos vimos e eu chorei sem querer,
Mas um dia guardei minhas lágrimas numa garrafa,
Tampei com uma rolha e joguei ao mar.

Eu sei que continuamos seguindo
Sem razões para voltarmos ao começo,
E hoje me lembro de você sem precisar esquecer.

Fui descobrir outro coração e levei o seu mapa,
Mas deixei uma carta escondida no lugar que você esqueceu de olhar,
Volte a olhar o céu para se encontrar de novo.

- H. S

Um grande abraço da Senhorita 



Senhorita Inconstante #4: Pensar é Transgredir

quarta-feira, 3 de abril de 2013

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Talvez eu devesse pedir desculpas, ou não, no caso acho que vocês vão compreender e gostar da outra alternativa que trouxe. Primeiro as desculpas por não ter dito um mínimo segundo de tempo para escrever na coluna, e as desculpas são sempre as mesmas, faculdade e trabalho. Mas fazer o quê? Não estou sendo clichê, sou realista, realmente não tive tempo já que a faculdade e o trabalho me consumiram demais nas últimas semanas.
Mas não vou deixar vocês sem algo para ler, fiquem tranquilos. Essa semana li uma crônica da Lya Luft e acho que muitos de vocês vão gostar. "Pensar é Transgredir", esse era o título, altamente convidativo, altamente recomendável e altamente legível, em todos os sentidos. Não enrolarei demais escrevendo minhas coclusões, que cada um tire a sua. Desejo desculpas, ofereço algo em troca e aproveitem a leitura.
         
                                                             - Hadassah Sorvilo

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu.
- Lya Luft

Um grande abraço da Senhorita 

A Coluna "Senhorita Inconstante" vai ao ar de 15 em 15 dias aqui no blog O Simbolista, não perca!!!

Coluna "Vida de Fã"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


Olá pessoal, em breve o blog "O Simbolista" terá uma nova coluna: "Vida de Fã", para participar basta mandar uma frase para meu twitter: @1guifranco , e-mail ou comentário aqui no blog, explicando quem é seu fã e por que você é louco por ele/a (s), as frases mais criativas e mais loucas por seus ídolos participarão como entrevistados.

 
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