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Senhorita Inconstante #4: Pensar é Transgredir

quarta-feira, 3 de abril de 2013

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Talvez eu devesse pedir desculpas, ou não, no caso acho que vocês vão compreender e gostar da outra alternativa que trouxe. Primeiro as desculpas por não ter dito um mínimo segundo de tempo para escrever na coluna, e as desculpas são sempre as mesmas, faculdade e trabalho. Mas fazer o quê? Não estou sendo clichê, sou realista, realmente não tive tempo já que a faculdade e o trabalho me consumiram demais nas últimas semanas.
Mas não vou deixar vocês sem algo para ler, fiquem tranquilos. Essa semana li uma crônica da Lya Luft e acho que muitos de vocês vão gostar. "Pensar é Transgredir", esse era o título, altamente convidativo, altamente recomendável e altamente legível, em todos os sentidos. Não enrolarei demais escrevendo minhas coclusões, que cada um tire a sua. Desejo desculpas, ofereço algo em troca e aproveitem a leitura.
         
                                                             - Hadassah Sorvilo

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu.
- Lya Luft

Um grande abraço da Senhorita 

A Coluna "Senhorita Inconstante" vai ao ar de 15 em 15 dias aqui no blog O Simbolista, não perca!!!

Senhorita Inconstante #3: Quero ver fazer

quarta-feira, 20 de março de 2013

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Ser sustentável tá na moda, a palavra reciclar é até mais usada que o velho bom dia. E parece que a maioria do mundo tá nessa onda de ser eco chato.
Eco chato é essa parcela de pessoas que ficam zunindo no seu ouvido que o mundo precisa ser respeitado, que compartilham fotos no facebook sobre a importância de reciclar e parar de comer carne. São essas pessoas que teimam em te jogar na cara o quão mau amigo você é do planeta terra. Mas que junto com toda essa máscara de “salve a mãe terra” são adeptos do consumo desenfreado e do fast-food.
Bem, eu tenho minhas dúvidas se realmente essas pessoas se preocupam com o mundo ou se só estão tentando seguir uma modinha para se sentirem descoladas. Não sou ninguém para julgar. Até porque sou vegetariana, costumo compartilhar fotos que incentivam a preservação do meio ambiente e vou de cômodo em cômodo da casa apagando as luzes. Mas também costumo demorar no banho, sinal vermelho para mim. E às vezes fico pensando “será que estou sendo mais uma desse blábláblá todo?”.
O quê eu quero dizer é que se você quer mesmo salvar o mundo, bem, é melhor desistir. O mundo não pode ser salvo só por você. Então pare de ser eco chato e seja consciente. Não adianta você compartilhar “salve o planeta” e ficar horas na frente do computador gastando energia. 
Se você quer ajudar a melhorar um pouco a situação, faça mudanças concretas. Diminua o tempo de banho, as horas gastas no computador, durma mais cedo, não compre tanto, recicle suas coisas, opte por produtos e empresas que valorizem a preservação do meio ambiente. E quando você quiser comentar para alguém o quão importante é respeitar e preservar nossa terra, você não vai ser só mais uma vozinha chata, vai saber realmente do que está falando.
Então um tapa na nossa cara que somos eco chatos! Já tá na hora de pararmos com essa vida de aparências, que sinceramente só pegam bem em redes sociais. Na real, o mundo precisa de pessoas que realmente estejam dispostas a ajudar. Ninguém nunca ganhou uma causa só no gogó, alie a palavra à ação, aí sim você vai poder ser chamado de amigo do planeta.


Senhorita Inconstante #2 EU VOU VIVENDO

quarta-feira, 6 de março de 2013

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Superar é preciso, viver é indiscutivelmente necessário.

Viver é não ter medo de lidar com as recaídas e os dias de saudades. Superar é olhar para frente e encontrar um novo alvo. Viver é ver o amor como algo maravilhoso que só faz sentindo quando se experimenta. Superar é amar a si mesma perdoando todas as suas burradas e perdoar também a quem foi. Viver é sentir prazer nas manhãs de sol, superar é levantar da cama todos os dias.

Viver é superar um dia de cada vez. Superar é aceitar tudo que tiver pra viver.

Porque todo mundo diz que superar é importante, e é mesmo. Mas viver cada dia dessa superação é muito mais prazeroso. Ainda mais se você faz isso por si mesma, só pelo gostinho de enfrentar os desafios que aparecem pela frente.

Então supere todos os dias, e viva todas as experiências, sejam lá boas ou ruins.
Anota aí num papel e cola no espelho, na geladeira ou encima da cama: Eu sou feliz porque ainda tenho tanto pra viver, eu sou forte porque vou superar tudo que passou e ainda o que vai acontecer. Eu desapego! Saio dos meus esconderijos e vou sim, ser feliz. Mesmo que isso soe clichê. Finais felizes também soam, mas eu sempre acreditei neles. 

Ps 1: Queria tanto agradecer a todos que estão lendo minha coluna e também aos que comentaram. 
Ps2: Vocês viram a colunista que intercala as semanas comigo? A Jess escreve sobre o Japão e tudo que faz parte dessa cultura incrível. Visitem aqui a coluna dela. 
Ps3: Pra quem não leu meu último texto aqui está o link. 

Um grande abraço da Senhorita 

A Coluna "Senhorita Inconstante" irá ao ar de 15 em 15 dias aqui no blog O Simbolista, não perca!!!

Senhorita Inconstante #1: Apenas escrever

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

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Gastei um bom tempo pensando como iria começar essa coluna. Quando recebi o convite do Guilherme, em meados do ano passado, fiquei surpresa e feliz por começar um novo projeto, mas ao mesmo tempo insegura em relação ao que escrever. Veja bem, nunca me faltaram palavras, o que me falta muitas vezes é coragem, inspiração. E confesso que de uns tempos pra cá esses dois motivos andam pesando bastante.
 Umas semanas atrás eu estava lendo uma crônica de Clarice Lispector e em um dado momento ela escreveu algo parecido com: “se você esperar a inspiração para escrever talvez ela nunca chegue. Escrever requer que apenas se escreva, sem esperar nada.” Os fãs de Clarice que me perdoem a paráfrase grosseira, é que a memória não anda ajudando.  Só peço que guardem a ideia central do pensamento, acho importante.
Percebi que escrever deve ser como respirar, não há esforço, é algo natural e essencial. Grandes escritores e poetas passaram para o papel aquilo que transbordava dentro deles. Por isso é tão real. Não há nada melhor do que ler um escritor que continua na simplicidade de escrever por que isso é inerente a ele. Escrever é algo tão intrínseco, não há separação. Suas palavras são uma extensão de seus sentimentos e pensamentos.
 Começo hoje essa coluna sem saber quais temas irei abordar e quais rumos tudo isso tomará. Mas decidi que não importa o que aconteça, simplesmente escreverei. Vai agradar? Não sei. Haverá críticas? Talvez. Mas que graça tem respirar por um tubo artificial? Quero mais é abrir as janelas e sentir a corrente de ar entrando pelo quarto, atravessando a camada de tecido da roupa e provocando arrepios no meu corpo, quero sentir o oxigênio entrando e se espalhando por tudo. Preciso realmente sentir, sem travas ou convenções. Quero escrever sem esperar nada.

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Ah, prazer. Me chamo Hadassah. Não sou uma escritora, no sentido profissional da palavra.  E confesso que muitas vezes me sinto insegura e sem inspiração para começar sequer uma frase. Mas gosto de escrever da mesma maneira que gosto de respirar. E quando dou por mim estou no final de um texto que mal sabia por onde começar. Isso rimou. Olho para o relógio, são 10:00. Tá ventando lá fora. Aqui dentro continuo respirando, continuo escrevendo. Estou feliz, acabo de dar à luz a uma extensão que eu chamaria de mim.

Se quiserem visitar o meu blog cliquem aqui !

A Coluna "Senhorita Inconstante" irá ao ar de 15 em 15 dias aqui no blog O Simbolista, não percam!!!

 
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